quarta-feira, 12 de novembro de 2025

 

Little Odessa

Filme americano de James Gray

O filme policial parece ser uma espécie de prova obrigatória para todo cineasta americano em início de carreira — e, ao mesmo tempo, uma forma de revelar seu talento, tamanha é a infinidade de variações possíveis dentro do gênero.

James Gray — vinte e quatro anos —, cujas qualidades aqui se revelam com força, nos faz descobrir o bairro de Brighton Beach, em Long Island, onde as placas estão escritas em cirílico e onde vive uma importante comunidade de imigrantes russos, em contato com as atividades de uma máfia eslava.

O mérito do filme não reside tanto na representação — ainda que muito convincente — de um meio pouco explorado pelo cinema, mas na abordagem do tema: um tom contido e grave, uma maneira intimista de mostrar a violência.

Superficialmente, poderíamos aproximar este filme de Mean Streets, mas ele remete mais — ainda que com menos meios — ao Coppola romântico e sombrio de O Poderoso Chefão – Parte II, ou a certos filmes de Kazan, em especial Vidas Amargas.

Um pai rigoroso (Maximilian Schell), que reprimiu as emoções tanto em si quanto ao seu redor; uma mãe (Vanessa Redgrave) morrendo de câncer; um filho mais velho (Tim Roth), gângster banido de casa; e o filho mais novo (Edward Furlong), curioso em conhecer o mundo que o irmão frequenta — e que acabará morrendo por causa disso: James Gray explora esse quadrilátero familiar com um senso raríssimo de tom e equilíbrio, sem jamais recorrer ao paroxismo que o tema permitiria.

Ao contrário dos ítalo-americanos fascinados pela violência que encenam, o cineasta aqui se interroga sobre as consequências dessa violência — e grava em nossa memória cenas de força rara, como aquela em que o criminoso se prepara para matar o pai num campo coberto de neve, humilhando-o numa espera insuportável antes de deixá-lo ali, prostrado sob a luz de inverno.

A interpretação — especialmente a de Tim Roth e Edward Furlong — está em perfeita sintonia com esse tom.

M.C.

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